João quer casar

Mulheres querem casar e ter filhos. Homens querem ter várias mulheres. Quem dera eu fosse assim, padrão, menos emotivo…

Quando é que eu vou casar? Eu vou casar?

Publicado em Histórico, Relacionamento, Sentimentos por João dia 1st - janeiro - 2008

As fases do meu namoro

A minha posição nessa história de namoro está muito complicada atualmente. Acompanhar a Rô sofrendo como ela está hoje em dia tem sido muito doloroso pra mim, e conseqüentemente pra ela. A nossa terapia de casal tem ajudado muito nesse sentido, muitas coisas ficaram claras desde que começamos as sessões e conforme o andar da carruagem e com a ajuda da minha terapia individual pude ver uma espécie de panorama do que vivemos nesses anos de namoro.

A primeira fase foi a mais gostosa, nós éramos uma pessoa só. Tudo que queríamos fazer era com o outro, valia a pena abrir mão de qualquer coisa pelo outro e tudo que fazíamos era curtir um a companhia. Nós existíamos como um casal e foi assim por muito tempo. Acho que essa fase é equivalente aos primeiros 3 anos do nosso namoro. Em muitos relacionamentos que eu vejo por aí, amigos, conhecidos, essa fase costuma ser muito mais curta, muitos relacionamentos acabam quando esse tempo acaba. É a explosão que junta duas pessoas, é o momento “Casal”.

A segunda fase foi uma fase de muitos conflitos. De certa forma é uma fase que começou se misturando com a primeira e foi gradualmente tomando forma, quando cada um dos dois começou a sentir falta da parte pessoal que abriam mão para estar juntos. Ir em programas que não ia anteriormente, ir em aniversários de parentes, ou até aquela tarde preguiçosa que tem um sol gostoso entrando pela janela e batendo bem na sua cama e você fica a tarde toda entre cochilos e pensamentos só você com você mesmo. Tudo isso faz falta quando a gente se joga de cabeça em qualquer relacionamento. Acho que essa fase acabou pra nós a pouco tempo, nós descobrimos tudo o que cada um precisa fazer sem o outro ou quando precisamos estar sem o outro. Demoramos mais 3 anos mais ou menos nessa fase, e já passamos também a parte mais difícil que é aceitar os momentos individuais de cada um sem se sentir abandonado ou desconsiderado. Estamos agora no fim dessa fase ou ela já acabou. Ambos desfrutam de seus momentos sem que causar conflitos com o outro e ambos aceitam o tempo do outro sem causar conflitos (pareceu repetitivo mas é isso mesmo).

A terceira fase é o que buscamos agora. É a união das duas fases anteriores, é de certa forma o amadurecimento final do relacionamento, o equilíbrio entre as duas fases anteriores. Acho que muitos casais com dezenas de anos de casados não atingem essa maturidade que temos hoje. Não sem problemas ou repressões internas. Estamos realmente bem quanto a isso, ou pelo menos é a minha impressão do relacionamento.

A questão que ficou no ar na minha última sessão de terapia antes dessa viagem foi: Nós soubemos viver e namorar juntos, nós soubemos viver e namorar separados, e agora, aonde está a união novamente? Certamente que não será a mesma coisa, mas onde está o equilíbrio? No momento o que falta é justamente um tempero de primeira fase nessa segunda fase que está tão onipresente.

No post anterior eu já expliquei o que está acontecendo com a Rô, e é uma fase muito ruim pra isso tudo estar acontecendo. Eu estou imaginando: será que o namoro está perdido? Nenhum dos dois quer isso, estamos bem juntos, mas o que será que acontece com nosso relacionamento que no início foi tão precoce, que se tornou tão maduro e que agora não vai pra frente? Quase todos os exemplos que eu conheço de namoros de 7 anos sem casar e que depois casaram são exemplos das gerações anteriores, raro na geração da minha mãe e um pouco mais comum na geração da minha avó.

Não vou entrar em detalhes neste post, mas eu e a Rô sempre fomos muito rápidos em nosso relacionamento. Rápidos a ter intimidades, em não guardar segredos, em cumplicidade, em companheirismo. Nosso fogo de início de relacionamento durou raros 3 anos. Será que não era nessa fase que deveríamos ter nos casado? Mesmo dentro dessa fase de paixão enorme nós tínhamos recursos de casal (por não achar melhor palavra, e não estou falando da parte financeira, estou falando de como um casal funciona no âmbito das idéias, dos pactos e acordos) que muitos casais, até onde sei, demoram anos morando juntos para desenvolver. Por que moramos separados? Será que não ter casado na hora certa é um sinal que não conseguiremos mais casar?

Um Futuro a decidir

Hoje a situação é complicada, com os problemas atuais a Rô mal consegue ânimo pra evoluir como pessoa, quanto menos investir em nosso relacionamento. Quando é que ela vai ter coragem, disposição e vontade de assumir o nosso relacionamento de verdade e poder morar comigo?

Isso me faz lembrar que eu nem comentei aqui no blog que ela não está mais cursando a faculdade. Depois de muito tempo sofrendo ela resolveu trancar a faculdade e não vai mais voltar. Apesar do grande alívio pra ela de estar se livrando de um grande peso ela ao mesmo tempo perdeu o “pretexto” (que na verdade era mais que um pretexto, mas vou usar essa palavra na falta de outra) para não ir morar comigo. Antes o pretexto era terminar a faculdade e estar ganhando dinheiro. Hoje ela está sem faculdade e têm 6 meses que ela está bem empregada. Ela não está ganhando altos salários, ela ganha por hora e o trabalho dela depende que ela aos poucos encha a agenda, mas está muito bem encaminhado, muito bem reconhecida e elogiada. Qual seria o problema em morar comigo agora? Ao que me parece ela está buscando forças pra isso de certa forma. Provavelmente por mim, mas não por ela. Ela agora está passando por um problema muito maior:

Ela não tem um objetivo de vida. Como assim? Não tem. Se ela não sabe me explicar direito eu fico em apuros pra explicar também. Ela não tem um sonho a atingir. Por exemplo, eu (logicamente pra quem acompanha o blog) quero casar, ter filhos e ser um pai de família, sonho com isso desde 15 ano de idade. Ela não tem esse sonho e nenhum do tipo. Do ponto de vista profissional eu quero ter uma estabilidade financeira que me permita ter um apartamento de 2 ou 3 quartos, me permita não passar nenhum mês em apuros e sustentar a família e talvez ter um carro, com tudo isso poder fazer uma viagem internacional a cada período de férias. Eu quero isso continuando na área que estou. Ela não tem nada desse tipo como alvo da carreira profissional dela. Ela quer sim ganhar “um salário bom” mas ela não sabe a fixar um valor e ela não sabe dizer como ela espera chegar ao “salário bom” dela. Ela não tem um sonho maluco, do tipo: “Quero tomar sorvete na Suíça aprendendo a andar de esqui “. Nada.

Tem tanta coisa pra falar aqui que eu não consigo deixar esse post menor. Originalmente eu não ia postar o post anterior sem isso tudo que estou escrevendo aqui, e provavelmente eu vou ter que diluir tudo que está na minha cabeça em mais posts ainda. É uma situação muito complicada.

A Roberta atualmente está num processo de isolamento do mundo. Ela está brindo mão das coisas aos poucos. Primeiro ela abriu mão da faculdade, e talvez essa seja a única coisa que acredito que ela abriu mão para o bem. Depois ela abriu mão dos compromissos chatos, coisas que ela fazia a contragosto por pessoas que não importavam muito. Depois ela abriu mão das situações sociais que ela considerava obrigação por que alguém importante à ela contava com sua presença. E depois ela começou a colocar família, eu e os amigos muito próximos no bolo de pessoas que não merecem mais o esforço dela. E agora ela está com vontade de abrir mão do trabalho também. Só está restando à ela ficar trancada dentro do quarto o dia todo, e não sei se eu duvido muito disso a médio prazo.

Com a Roberta desse jeito eu estou sentindo o peso em cima de mim do futuro desse relacionamento. No estado que ela está eu constantemente estou a apoiando do jeito que posso, isso atualmente significa abrir mão de vários compromissos meus para ficar com ela, deitado, vendo TV, fazendo carinho, conversando, escutando ela falar, esperando ela parar de chorar, falando palavras de carinho. Ela vive me reafirmando o quanto isso é importante pra ela, e eu sei que é importante, é claro que é pra lá de importante. Mas será que eu posso continuar com isso? Será que é o melhor para mim ou para nós?

Ela vive colocando o nosso relacionamento em cheque, me questionando se eu devo ou não continuar esse namoro. E pra mim é a pior coisa que eu poderia ter que decidir. Se eu a deixar ela vai ficar muito, muito triste, de perder um companheiro que dá tanto conforto e carinho à ela. Ela vai sofrer muito. Se eu ficar com ela o desespero pode tomar conta dela, afinal de contas me ver sofrendo por causa dela só piora as coisas pra ela mesma. Ela sofre cada coisa que eu sofro por causa dela. Ontem que fui me dar conta pra ela que continuando o relacionamento ou terminando o relacionamento, de qualquer forma ela sai perdendo. De qualquer jeito ela continua sofrendo e pode ter seu sofrimento aumentado com o passar do tempo.

Já eu não. A mim cabe a decisão do que eu quero e posso fazer por esse relacionamento. Pra mim seria a pior coisa do mundo desistir disso agora. Eu a amo, isso não é mais um assunto que eu vou embutir nesse post, eu quero ficar com ela e isso é fato. A questão é: Será que esse relacionamento tem esperança? Será que eu terei felicidade fora desse relacionamento? Pra mim existe uma boa diferença entre ficar com ela e ficar sem ela. Eu posso ser feliz com ela ou sem ela a curto ou médio prazo em ambas as direções. O mundo está cheio de pessoas interessantes pra eu conhecer se eu quiser, pra eu me relacionar se eu quiser, pra eu namorar se eu me separar da Rô.

Mas quanto tempo será que eu precisaria pra me desfazer desse amor todo que eu tenho por ela? Será que eu me recuperaria de abandonar esse relacionamento? Eu me sinto parte da família dela, me sinto aceito lá. Ela é super aceita na minha família e apesar de atualmente ela ter uma certa birra (com razão) de coisas na minha família ela também sabe que é parte da família e de certa forma eu sei que ela gosta disso. Como se quebram esses laços? Quanto custa emocionalmente quebrar esses laços? Ela é a minha mulher e eu sou o homem dela. Isso está tão intrínseco em nós dois nesse ponto que mesmo tendo recentemente parado pra olhar pro mundo fora desse relacionamento eu ainda não vejo a saída desse relacionamento como uma boa alternativa.

Só sinto o peso da decisão. Pra mim existem algumas opções:
- Ficar com a Rô e pressionar que vamos morar juntos logo, mesmo ela estando mal no momento.
- Ficar com a Rô e dar à ela todo o tempo que ela precisa, tentando ser o mais neutro possível no que sugiro ou defendo que ela deveria fazer.
- Ficar com a Rô e fingir que não estou com ela ao mesmo tempo, ou seja, me mantenho fiel mas não espero dela companhia e amor que ela poderia me dar e aproveito tudo de solteiro menos ficar com outras pessoas.
- Termino com a Rô e parto loucamente pra outros relacionamentos pra apagar esses laços tão fortes que temos
- Termino com a Rô e viro um irmão pra ela, cuido dela sem ela ser a minha mulher, como se fosse um tio ou um primo dela
- Termino com a Rô e assumo o destino de ser um cara sozinho, sem esperança de ter algo como eu tive com ela alguma outra vez na vida.

Mas basicamente eu preciso decidir. Eu devo continuar com a Rô? Eu posso continuar com a Rô? Ela é a pessoa que pode me fazer feliz? É justo eu ter nos mantido juntos tanto tempo de depois a abandonar? Não sei se alguém sequer pode tentar me entender pra me ajudar a responder tudo isso. Só minha analista deve ver uma solução pra isso que ela ainda não conseguiu me conduzir a encontrar. Isso se muito, afinal de contas ela também não tem bola de cristal.

Hora de Pensar na Vida

Publicado em Ela, Notícias, Relacionamento por João dia 28th - dezembro - 2007

É uma pena que eu esteja atualizando este blog com tão pouca freqüência. Minha vontade era estar sempre registrando as coisas aqui para que depois eu pudesse voltar aqui e reler o que escrevi.

Felizmente hoje reli algumas coisas e vi que não deixei tanta coisa assim para trás. Foi interessante reler algumas coisas que eu escrevi desde antes da triste quarta-feira que ela quis acabar o namoro. Fizemos 2 meses de terapia de casal, depois fizemos 1 mês de pausa voltamos para a terapia de casal com convicção de que hoje em dia precisamos desse espaço pra manter o relacionamento saudável. Apesar disso uma coisa ainda não mudou: de vez em quando ela acha melhor terminar o namoro. Mas aos poucos entendi que todas as vezes que ela quis terminar o namoro uma grande parte, senão o único motivo, era me proteger de sofrer junto à ela. Da última vez que ela falou em acabar eu nem me preocupei muito. Mas não por ter ficado irrelevante, mas por que eu já me preocupo com isso constantemente.

A verdade é que a Rô está muito, muito deprimida. Pra mim isso é um sofrimento muito grande; não é fácil acompanhar alguém no estado que ela está; não é fácil viver ao lado de alguém que te traz felicidade num momento e no outro te leva para um estado de tristeza profunda – É como ser transportado do céu para o inferno dentro do mesmo dia, mas o pior é perceber que só eu estive no céu, que a Rô está vivendo no inferno faz tempo. Outro dia eu resumi essa situação assim: É como se a Rô estivesse se afogando em alto mar, não tem onde segurar, não tem pra onde nadar. Eu estou lá pra não deixar ela afundar, eu quero salvar ela a qualquer custo, mas chega uma hora que ela está cheia de desespero e medo de afundar que ela acaba me puxando pra baixo junto com ela. É nessa hora que ela gostaria de terminar o namoro, para que eu não afunde com ela. É nessa hora também que eu aprendi a deixar ela afundar um pouco sozinha. Assim que ela se acalma eu vou lá novamente e a trago para a superfície, sem precisar ter tomado o mesmo caldo que ela tomou da vida.

No mundo real (sem metáforas), quando ela está muito mal e eu não posso deixar ela me levar junto com ela, a hora do fôlego é a hora que eu saio sozinho com meus amigos; É a hora que eu falo que vou dormir e fecho o MSN e fico navegando na internet, vendo filmes ou séries na hora que se eu não fechasse o MSN eu estaria conversando com ela, na insônia dela; É nessa hora que eu não pergunto como foi o dia dela, que eu digo que minha terapia não foi nada demais pra não contar que fiquei falando dela o tempo todo. Eu me afasto dela, e fico triste de ver ela afundar, mas é o melhor que posso fazer nessas horas.

De certa forma ela entendeu esse espaço que eu tenho — não que esses momentos passem em branco pra ela, é ruim pra ela saber que eu a troquei por uma sessão de videogame na casa de um amigo do trabalho ou coisas do tipo — mas acho que foi o jeito que eu pude mostrar pra ela que eu tenho o meu jeito de me manter saudável mesmo com ela tão mal ao meu lado.

Saindo da rotina

É e nesse contexto que eu estou aqui, sozinho, numa viagem que começou antes do Natal e vai terminar depois do Ano Novo. Viajei pra um lugar no meio das montanhas mas que tem internet pra eu poder ler e escrever e pensar na vida. Eu e ela íamos viajar para o nordeste juntos, mas na última hora, na hora de comprar as passagens a Rô desistiu e quis ficar sozinha em São Paulo. Fiquei tão mal com isso, com essa ‘última hora’, com ela não ter me avisado antes, que faltei um dia no trabalho por causa de uma noite de insônia, e passei uma sexta, sábado e domingo pensando nisso, e por fim decidi que viria para cá. Após reservar o chalé eu até à convidei para me acompanhar mas mesmo assim ela preferiu ficar em São Paulo. Estou de certa forma isolado de tudo para pensar na vida, para resolver pra onde vai a minha vida. Para entender e estudar os diversos caminhos que levam ao topo da montanha.

É claro que essa fuga da rotina nem tem só a ver com a Rô. Não posso jogar todo esse peso nela, mas já que eu não teria esse tempo com a Rô o tempo sem ela também vai servir pra entender tudo que está acontecendo entre a gente. Eu preciso pensar em tantas coisas até 2008 começar que eu nem sei por onde começar e é aqui na viagem que eu quero pensar em tudo isso.

Imperfeito

Publicado em Músicas por João dia 26th - novembro - 2007

Eu sei que meu amor
É imperfeito
Mas se ele deixar, vou lhe mostrar
O quanto também
Tenho defeito
Não é pra me gabar
Mas rio do que faço
Eu devia chorar

Eu sei o mal que fiz
Já está feito
Mas lhe pedi perdão, por ser assim
E o coração que
Tenho no peito
Não quer acreditar
Já nem estou mais aqui
Nem em qualquer lugar

Lá vai se embora meu mundo sem mim…
O que há de errado em ser tão errado assim?
Já vou saindo, não precisa empurrar…
Pois meu maior defeito é insistir
Que ele é perfeito,
Que é pura crueldade pedir pra ele mudar

Nem luz, nem espelho,
Nem olhos pra enxergar
Acho que sou alguém
Que nunca vai mudar

Lá vai se embora meu mundo sem mim…
O que há de errado em ser tão errado assim?
Já vou saindo, não precisa empurrar…
Pois meu maior defeito é insistir
Que ele é perfeito,
Que é pura crueldade pedir pra ele mudar

Imperfeito – Pato Fu

[não deu pra por pra ouvir online, o Flash não trocou a música direito]
Baixar a música