João quer casar

Mulheres querem casar e ter filhos. Homens querem ter várias mulheres. Quem dera eu fosse assim, padrão, menos emotivo…

Amar a mim, amar a ti

Publicado em Sentimentos por João dia 27th - março - 2007

É engraçado essa situação. Eu quero escrever aqui, eu quero criar um link aqui para o blog da Rô e não tem como fazer isso de forma discreta e anônima. Sem desviar possíveis leitores para o blog dela e torna-los leitores dela também.

Pelo visto terei que narrar o que ela escreveu ao invés de linkar lá. Mas acho que isso na verdade não é um grande problema.


A parte de cima do post eu escrevi no domingo, parei por causa de conversas no MSN e muda um pouco a situação do post original, mas não a essência. Vamos ao que ela escreveu:


Em seu blog ela deixou claro da última vez que está confusa. Sim, essas são as entrelinhas e o nosso principal problema é o principal assunto de seu post: Os pequenos (ou nem tanto) mals-tratos e falta de atenção com o que falo com ela e como isso gradualmente “corroeu nosso namoro”. No entanto o que ela escreveu não é o mais importante, mas sim como ela escreveu.

O post apesar, de eu ter tirado um significado bem diferente dele, era sobre acabar com o blog que ela manteve por boa parte do nosso namoro, ou melhor, pelos últimos dois anos. O motivo seria “as pessoas” que freqüentam o blog. Eu incluso explicitamente no post, lógico. E depois que ela fala que tem pessoas que influenciam do jeito que ela posta ela fala do namoro.

Ela fala que sente vergonha até de falar que aceitava ser mal tratada e que parecia mulher de bêbado que apanha e não faz nada no dia seguinte. Ela ressuscitou coisas mortas a muito tempo, exemplos de vezes que eu fui sem noção e que depois fizemos as pazes. E por fim ela fala que o que ela tem vergonha do namoro é do que ela não tinha, que era amor próprio.

Lendo o blog de uma amiga em comum foi fácil fazer um paralelo. A amiga em questão abordou isso recentemente em um post e olhando pra trás lembro de ter visto posts dela nesse assunto. Mas o post mais recente é bem direto e tem uma data muito próxima da minha separação da Rô. Tudo isso me leva a falar agora do assunto principal do post: O que é “amor-próprio”?

Eu sei, eu sei… se você está lendo esse blog com atenção você já deve estar pensando: “Meu, ele ainda está sem noção, ele não sacou ainda e vai falar outra merda.” Calma, meu caro, não é esse o objetivo. Não vou afrontar o que ninguém acha que é amor-próprio. Amor-próprio é obviamente considerar as suas vontades, seus desejos, sua opinião quando o assunto é não ferir a si mesmo. Amor-próprio é saber a hora de impor suas necessidades perante outras pessoas.

Mas o que quero discutir não é isso. Não quero dizer que a Rô não se ama e nem que nossa amiga não se ama. A questão é: Os casos que a Rô cita, ou lembra, ou está pensando são casos de falta de amor próprio? Eu acho que não.

Acho que existe sim uma diferença grande entre amor-próprio e amor pelos outros. Num relacionamento amoroso acho que não deve ser complicado confundir uma coisa com a outra. Acho que vivo num caso desses.

A Rô e eu sempre tivemos uma relação muito forte, ambos sempre ajudamos muito um ao outro e cumplicidade e sinceridade sempre foram parte importante de nossa relação. Desde o começo confiamos ao outro nossos segredos, nossos desejos, nossos problemas. Cada um teve sua hora de apoiar, acariciar, criticar, suportar, sacrificar e abrir mão de nossas coisas pela felicidade de ambos.

Tenho ouvido de amigos e amigas o quanto eu fui “submisso”, o quanto eu fui “bonzinho” ou o quanto eu me adaptei as manias dela. Constantemente eu escutava, mesmo ao longo do namoro, tudo isso, talvez em menor quantidade, mas sempre dizendo o quanto eu “me dispunha a ser como ela queria”. Ela por outro lado com certeza deu muitos braços a torcer e fez muita coisa, e aturou muita coisa de mim. É tudo igual pros dois lados.

Tenho que admitir que essa história de amor-próprio me incomodou, mas serve bem ao que ela quer fazer. Ela quer de certa forma descontar em mim, fazer com que eu sinta que eu estava errado e fazer que eu sofra tudo que ela parece achar que eu fiz ela sofrer de propósito. O que ela não vê é que tudo que se passou, se não totalmente mas pelo menos uma boa parte não foi falta de amor-próprio por si, mas amor dela por mim.

Sim, é difícil na posição que ela está de perceber e assumir o quanto eu fui importante pra ela e o quanto ela queria a qualquer custo me ajudar, estar comigo, ter o meu carinho, ter a minha atenção – me ter. Parece que essa história de amor-próprio é mais uma desculpa para esconder de si mesma tudo que ela está perdendo ao manter essa distância entre nós.

Eu por outro lado não sinto essa necessidade de esconder dela o que sinto. Ela sabe que eu quero voltar, ela sabe que eu estou me esforçando muito para ajeitar os problemas que vinha causando em nosso relacionamento e meus conflitos psicológicos com toda essa história. Eu sei muito bem o que quero e tenho sido transparente com ela, como sempre. Ela por outro lado está construindo essa barreira entre nós. Amor-próprio é só mais um nome que ela parece estar usando para se esconder atrás, para negar o amor que tivemos e possivelmente ainda temos entre nós.

Eu só queria que ela não canalizasse todo esse sofrimento em raiva contra mim.

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