João quer casar

Mulheres querem casar e ter filhos. Homens querem ter várias mulheres. Quem dera eu fosse assim, padrão, menos emotivo…

Sinceridade e impulsividade

Publicado em Relacionamento por João dia 1st - abril - 2007

A separação foi dura. O nosso relacionamento estava cada vez mais resolvido, no sentido de cada vez menos termos problemas com conflitos de casal. Os problemas grandes ficaram pra ser resolvidos a longo prazo e estavam aos poucos sendo tratados. Os pequenos, como por exemplo preferências de entretenimento conflitantes, conversas que um ou outro não gostam ou gostam de ter, relação com famílias, com amigos, como se portar em todas essas situações, o nosso “ninho” estava bem cuidado apesar de não estar perfeito, enfim, todas as menores coisas estavam ajeitadas.

Problemas médios como eu tirar carta de motorista, e outras coisas que nem sempre vêm a cabeça quando eu paro pra escrever um pouco estavam resolvidas ou então bem encaminhadas. Agente tinha um diálogo fantástico, muita sinceridade, muita cumplicidade, nenhuma omissão de sentimentos ou de fatos sobre nossas vidas, éramos totalmente transparentes um com o outro. Amávamos um ao outro e temo dizer que ainda nos amamos. Então por que a separação?

Acho que todo mundo têm seus problemas profundos. Ela tem o dela e eu tenho o meu. O dela é dela, acho que eu posso até fazer um post sobre isso depois, mas o fato é que eu já fui muito atingido pelos problemas que são dela, apesar de não vir ao caso nesse post, que fique claro que eu sei muito bem que vou falar do meu problema, que foi o mais proeminente para o fim do namoro, mas que sei que o dela também conta. Conta pra mim, conta pra agravar meu problema, como vocês poderão imaginar ao fim desse post.

O meu problema de verdade é uma soma de sinceridade, espontaneidade, impulsividade e ingenuidade. Esse último fica mais bem explicado com a expressão “sem noção”, mas quis colocar no “reino dos alguma-coisa-dade” por que é muito mais claro para resumir usar a linguagem culta, não é?

Uma soma dessas coisas não pode dar um bom resultado. Em muitos momentos essas palavras podem ser consideradas qualidades. Todo mundo que me conhece pode dizer e muitas vezes até diz na minha cara que eu sou muito transparente com todo mundo. Tudo bem, eu tenho lá meus segredos, minhas complicações. Mas a minha opinião e fatos relacionados a qualquer coisa são sempre divulgados sem escrúpulos. Isso é imensa vantagem para mim quando alguém me conhece e estou discorrendo sobre algo favorável a pessoa. A sinceridade e espontaneidade cuidam de valorizar quaisquer comentários e opiniões.

Por outro lado o bicho pega quando se soma sinceridade e esse meu impulso de falar tudo que eu penso. Vários comentários fora de hora, desnecessário ou sem o mínimo tato chegam as pessoas que gosto, amo, ou que apenas conheço. Simplificando a situação existe um grande problema quando uma mulher me pergunta: “E aí? não é legal o novo corte que eu fiz?” e eu respondo de cara: “Na verdade você estava muito mais bonita antes…”. Não importa se é amiga, namorada, mãe, tia, conhecida, etc. Qualquer mulher que eu fale uma coisa dessa vai querer me matar. Apesar da mesma mulher poder também achar o máximo que eu fale que está lindo, já que sabem que eu realmente falaria se estivesse feio.

Lógico, não vamos levar o exemplo ao pé da letra. Eu não estou tão tactless assim. Eu já fui sim assim, é uma sinceridade quase infantil, mas o bojo do problema é esse. Eu chamei de ingenuidade, se a Rô lesse isso ela ia falar vários palavrões pra mim e dar risada dessa história de ingênuo. Mas em algum nível é isso mesmo, por que de verdade, minha cabeça nem sempre passa pelo raciocínio de quem vai ouvir meus comentários na hora que eu resolvo falar. Eu simplesmente falo e depois que eu vou perceber a merda. Isso quando eu percebo. Mas eu não estou nesse nível de falar isso pra uma mulher. Foi apenas um exemplo exagerado que eu inventei pra passar a idéia da coisa.

Esse problema é conhecido em mim, por mim e pela Rô, desde sempre. É uma coisa óbvia de se ver e não é o tipo de coisa que justo eu, que estou explicando pra vocês que sou transparente e tudo mais, esconderia ou conseguisse esconder de forma alguma de alguém que conheço. Esse problema já foi extensivamente abordado e discutido com vários amigos, em vários círculos de amizades, em vários níveis e em diversos momentos. Todos que conheço e até a Rô reconhecem que eu tenho melhorado nesse sentido.

O problema foi que eu e a Rô nos perdemos em algumas discussões sobre outros assuntos que, digamos, fazem parte dos problemas médios do namoro que estavam quase resolvidos, mas que “dispararam”, ou melhor, despertaram mais uma vez o meu “instinto falar o que não deve”. Separamos por causa dessa discussões. Foi terrível. Terminar um namoro por causar quase resolvidas que ficavam voltando a tona. Facilmente qualquer um dos dois (e isso foi assumido por ela com todas as palavras) teriam deixado o namoro continuar caso o outro pedisse no dia seguinte de nossas discussões, o dia que ela passou aqui em casa pra pegar as coisas dela. Mas o problema foi que eu e a a Rô tivemos tempo pra pensar.

Pensando na conversa que pôs fim ao nosso namoro eu percebi que o que aconteceu é que eu mais uma vez me descontrolei e falei muitas merdas que não precisavam ser ditas. Eu magoei ela muito aquele dia falando coisas que estavam simplesmente passando pela minha cabeça, coisas que não são o que eu penso. Coisas que foram raciocínios temporários, pensamentos distantes que passaram pela minha cabeça para de certa forma instigarem alguma coisa lá pra que eu pensasse nos assuntos que discutimos. Não era pra ter sido dito pra ela. Foi dito, e feriu mais uma vez a pessoa mais importante da minha vida.

A Rô gosta de colocar exemplos e expor aos outros as besteiras que eu falei. Eu não sei ainda se vale a pena colocar exemplos aqui neste blog, mas posso jurar pra vocês que eu me arrependi do que falei e eu poderia apostar que a Rô já imaginava que eu estava falando coisas que não tinham nada a ver com a realidade, e essa é a parte que mais dói depois que terminamos.

Porque é que depois de 6 anos de namoro, quase a totalidade desses 6 anos ela soube que eu era assim, que eu tinha esse problema, que eu era assim? Ela sabe tanto disso que poderia mais uma vez me perdoar, mais uma vez me aceitar, e se consolar de tudo que eu fiz de errado com ela deixando eu chorar no colo dela de tão machucado que eu mesmo fiquei com o que falei naquele dia a ela.

Ela não pôde. Não deu pra me perdoar dessa vez, ela está tão “arranhada” de namorar comigo. Cada vez que eu tenho uma recaída desse problema tão sério ela ganha mais arranhões, alguns mais fundos e ela ficou toda marcada com vários e vários dias que eu estava desatento, despreparado ou desatento e a machuquei. Eu gostaria que essas feridas curassem mais rápido nela, assim que não arranhava em cima de outro arranhão que tava sarando. Mas isso não é culpa dela. Longe disso.

Agora estou aqui. Sofrendo com essa separação. Ela está lá. Sofrendo com a separação também. Ela aparentemente gostaria de voltar se ela pudesse saber que eu nunca mais faria isso. Se ela pudesse acreditar que eu realmente mudei depois dessas 5 semanas separados. Que eu resolvi esse grande problema da minha vida.

Eu gostaria de dizer pra ela que resolvi. 100% resolvido. Mas não dá. Eu já prometi pra ela que essas coisas não voltariam a acontecer. Eu conversei com a minha analista e ela concordou que isso é muito difícil mas é possível, e que abafar a bomba de explodir dessa forma vai causar explosões de outros lados. Paciência, eu preciso poder fazer isso. Eu tenho que aprender a não machucar quem eu amo.

Eu vou amar alguém que me ama de novo nessa vida. Seja essa pessoa a Roberta ou não. Eu sei que já mudei isso pra melhor. Só não sei o que é que vai piorar a próxima vez que eu precisar sufocar os meus impulsos.


Esse post não foi revisado ainda. Pretendo revisar ele em breve.

One Response to 'Sinceridade e impulsividade'

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    Lidoliver said,

    on março 10th, 2010 at 3:13 pm

    Por vzs isso pode ser uma Qualidade mostrando sempre q a pessoa é verdeira e transparente… Mas por outras vezes pode ser penoso, agente pode se arrepnder amargamente dos impulsos ditos em má horas…

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