João quer casar

Mulheres querem casar e ter filhos. Homens querem ter várias mulheres. Quem dera eu fosse assim, padrão, menos emotivo…

História de cama e colchão

Publicado em Histórico por João dia 9th - maio - 2007

Eu lembro do começo do namoro. Eu e a Rô começamos tudo muito rápido. Acho que ambos estávamos ansiosos para conhecer, para gostar, para namorar alguém. Ambos estavam esperando uma boa oportunidade para se envolver, cada um com seus motivos. Entramos de cabeça no relacionamento e em pouco tempo ela já conhecia e dormia comigo apertadinho na minha cama de solteiro. Na verdade o modelo era aquele que chamam de cama de viúva, sabem? Um pouco mais largo, mas ainda assim nada perto de cama de casal.

Eu com 19 e ela com 17, ok, quase 18, mas 17 ainda. Nem eu e nem ela havíamos dormido com alguém na mesma cama antes. É tão gostoso descobrir que nem todas as posições são confortáveis quando se tem que dormir obrigatoriamente abraçado, tão gostoso descobrir que o cheirinho da cama muda só por ter alguém que uma ou duas vezes por semana dorme lá e todas as outras nuances de começar uma vida a dois, a primeira vida a dois. Eu lembro que eu acordava no meio da noite com dor no braço que ela estava deitada em cima e eu fazia o maior esforço pra mudar a posição sem acorda-la, tantas coisas gostosas de se descobrir…  em poucos meses de namoro dormíamos abraçadinhos sem nenhum problema, virou hábito as posições que davam certo e nós dormíamos como dois bichinhos enroladinhos…

A cama de solteiro não era ruim. Dá pra dormir gostoso a dois naquela cama, quando começamos a transar, alguns meses depois do começo do namoro, pouco antes dela completar 18 anos, a cama era de confiança e não nos traía com barulhos. Muita sorte da nossa parte, a cama já era minha a alguns anos, antes disso havia sido do meu tio, quando morava aqui em casa com a minha avó e eu ainda era um moleque. Esperto ele, que escolheu a cama mais silenciosa da casa. Nessa época experimentamos também transar em outros lugares, mas nosso ninho era lá, na minha cama de solteiro. A casa dela só era opção com os pais dela viajando, eu nunca pude e acho que nunca poderei dormir na casa dos pais dela. Nessa época experimentamos a cama de casal da minha mãe.

A cama de casal da minha mãe foi herdada da sogra dela do segundo casamento. Cama maciça, madeira de lei bem escura. Simples e muito bonita. A cama é de um padrão de tamanho antigo, já que a própria sogra do segundo casamento da minha mãe herdou de sua avó. A cama tem 2m/1,8m. Gigante. Maior que Queen size e menor que King size, mas por poucos centímetros, nunca sei. Essa tinha um colchão velho ainda era feito com madeira dentro e a Rô nunca se adaptou muito bem a ele. Só sei que o colchão velho era um caso complicado para a minha mãe. Na época em que desfrutávamos da cama o colchão já ameaçava se desfazer mas mesmo assim nunca deixou de ser confortável. Mas um colchão novo era caro e minha mãe dormia tanto fora na casa do namorado que quem aproveitava o potencial da segunda cama mais silenciosa da casa era eu e a Rô, com a permissão da minha mãe, claro.

Acontece que (como alguns espertinhos já podem ter sacado pelo detalhamento exagerado da cama alheia) que eu herdei essa cama da minha mãe. Na verdade eu acabei faturando a cama. O que aconteceu é que minha mãe ganhou uma cama de casal padrão, que é muito mais fácil de comprar roupa de cama e que estava novinha com um bom colchão. Ela ganhou por que uma amiga rica ia jogar fora. Magina, minha mãe não ia deixar passar essa. Ela não tinha dinheiro pra trocar de colchão e nem pra ficar comprando lençóis King Size e mandando a costureira arrumar, então uma nova cama foi ótima idéia pra deixar o quarto bonitinho sem gastar com isso. Ela encostou a cama velha desmontada por um canto da casa esperando levar para o sítio dela, nas montanhas. Nessa época a Rô dormia aqui todo fim de semana e meu irmão, que então dividia quarto comigo, dormia 4 vezes por semana na casa da quase esposa dele. Nada mais perfeito. Um belo dia eu me apossei da cama abandonada dizendo que se ela resolvesse levar pro sítio eu pegava a de solteiro de volta.

A cama é maravilhosa. Eu me adaptei muito bem ao colchão velho. Todo irregular, com as madeiras de dentro dele todas rachadas e com pouco estofamento ele era um colchão com história e que meu corpo se ajeitou muito bem. Mas a história não seria interessante se eu estivesse com esse colchão até hoje, não é? A Rô não se adaptou ao colchão. Ela está acostumada com bons colchões e não é nem uma questão de bom ou ruim, ela está acostumada com coisas macias, eu com coisas duras. Isso serve pra colchão e travesseiro na verdade. Nessa época começaram as conversas sobre isso.

A história é muito mais longa do que pode ser contada em um post só, mas de certa forma eu e ela sempre tivemos muitas conversas sobre tudo. Ambos nos ajudamos em tudo que vocês podem imaginar e uma das coisas que ela sempre me ajudou foi com meu quarto. O meu quarto acabou desde o começo sendo muito “nosso quarto”. Ela em uma época dormia na minha casa de sexta, sábado e domingo a noite, saindo daqui de casa direto pra faculdade na segunda de manhã. Isso constitui quase metade das noites dela. Digamos que em média ela dormia 1/3 dos dias dela aqui em casa. Apesar de eu estar bem satisfeito com o colchão a Rô começou uma espécie de uma campanha para que este fosse trocado. Eu tinha começado a ganhar bem e com carteira assinada e o que antes parecia irreparável por questões financeiras pôde entrar no escopo de decisões pela melhoria do quarto.

Um belo dia lá vai o João procurar colchões para comprar. Como já foi dito a cama é fora de padrão atual. Mas a sorte esteve do meu lado e eu consegui encontrar um colchão de mola, muito bom, a um preço acessível. Bom, naquelas. A única vez que descontrolei as minhas finanças e entrei no negativo desde que tenho o emprego (que dura desde aquela época até hoje) foi essa vez do colchão, na verdade eu tava pagando ainda a TV que havia comprado e foi falta de organização mesmo, por que dinheiro eu tinha. E pronto, um dia a Rô chegou aqui em casa e a cama estava com esse novo colchão. O meu quarto estava perfeito, um quarto grande, uma cama grande, uma TV grande, um móvel lindo, tudo bonitinho. E já que eu tinha comprado o colchão a cama passou a ser oficialmente minha.

Mas a história não acaba por aí. Por motivos que não pertencem à esse post e tive que mudar de quarto. O quarto que eu tinha de 6,80m/4,50m foi promovido a um quarto de empregados, reformado, de 2,20m/3,10m. E o que acontece com uma cama de 1,80m/2m num quarto desse? É, resposta correta! Fica tudo apertado! O projeto da reforma do quarto contava que eu ficasse com a cama de casal. Afinal de contas eu tinha investido uma bela grana no colchão e não tinha desfrutado nem 6 meses dele quando tive que mudar de quarto. Nada de se desfazer da cama que agora além de linda, além de silenciosa, tinha um colchão novinho e travesseiros de pluma de ganso para acompanhar. O quarto ficou legal, pequeno mas cabia. O armário foi feito sob medida para as portas correrem de lado, portas que nunca foram colocadas, mas era pra correr de lado por que com a cama não daria pra abrir a porta se fosse estilo tradicional.

A cama estava OK, o quarto estava OK e um belo dia o meu irmão estava de pilequinho, depois de umas 5 doses de vodka e estava mostrando a casa para nossos amigos. De repente aquele ser singelo de 100Kg fala pros amigos: “E olha como ele tá rico, comprou colchão de mola que é gostoso de pular em cima…” e pulou em cima da minha cama. Ele não caiu na cama, ele pulou mesmo, subiu do chão e caiu em cima da cama que com um alto estalo não se partiu. Isso mesmo, não se partiu. A cama agüentou firmemente. Quem não aguentou foi o estrado. O estrado ficou em forma de “U”. Ele partiu algumas madeiras mas não cedeu ao chão. Mas foi o suficiente pra ser impossível dormir direito na cama.

Não sei se o estrado era original, mas que ele já tinha lá os seus 5 ou 6 remendos de madeira pregados por baixo ele já tinha. Já era meio tortinho, mas com o colchão novo isso estava escondido. Com o singelo pulo de elefante do meu querido irmão foi o fim daquele estrado. Ele partiu em alguns pontos os remendos e em outros as madeiras que ficam no comprimento da cama. Desmontei a cama e o colchão foi parar no chão.

Existem muitas turbulências que eu ainda não relatei neste blog. Tenho certeza que um dia ainda farei todos a par de tudo isso, mas se resumirmos rapidamente, afinal esse é um post sobre a cama não sobre os problemas e confusões da época que ela quebrou, mas de certa forma posso dizer que eu estava confuso o suficiente pra ficar uns belos meses sem arrumar isso. O certo era fazer o meu irmão arrumar a cama. Mesmo que ele não tivesse o dinheiro ele sempre teve carta de motorista, coisa que eu não tenho até hoje. Mas os problemas do meu irmão são outros e eu já desisti de faze-lo se sentir mal por não ajudar em arrumar a cama. Então no meio de várias confusões, entre elas a doença e morte do meu avô, entre elas tentar me formar na faculdade trabalhando ao mesmo tempo, eu não tive tempo e nem vontade de arrumar a cama.

A verdade é que depois de um certo tempo, que estava dentro do justificável para não tomar as providências, eu percebi que o quarto estava muito mais espaçoso do que sempre foi com a cama inteira. Além disso a TV ficou mais alta em relação ao colchão no chão e ficar sem a cama não causou nenhum desconforto para mim. A cama não é necessária para se viver. Existem culturas que dormem no chão, em redes, só não conheço culturas que durmam em árvores, apesar de uma maioria esmagadora dos seres humanos de hoje em dia dormirem em camas que não estão diretamente no chão nada impede que seja gostoso dormir em um colchão no chão.

Depois de tanta explicação chegamos ao ponto de todo esse post. A Rô não concorda que a cama poderia ser deixada de lado. Na verdade ela já achou o tempo que eu chamei de justificável um pouco longo demais. Ela é muito organizada e toda a organização dela vai além da praticidade. Ela deixa tudo muito simples e muito prático de ser encontrado, mas ao mesmo tempo ela consegue colocar tudo em um bom nível de estética também. Meu quarto, ainda é o pequenininho até hoje, o colchão no chão está até hoje, mas o quarto é muito bonito e bem organizado e isso é em grande parte mérito da Rô. Ela me ajudou muito. Eu sou um cara organizado quando quero e com o que quero, então nesse ponto não conflitamos, mas ela gosta de organização sempre, incondicional, e estética também. Então logo o caso do colchão no chão se tornou um problema.

Passado o período justificável a Rô começou a me perguntar quando que eu ia arrumar essa cama. Eu fiz uma coisa muito errada que era na verdade um comportamento comum em uma fase da minha vida que recorreu naquela época que era deixar pra lá. Ela perguntava e eu falava algo evasivo do tipo “ah, acho que esse mês eu consigo fazer”. E de respostas evasivas qualquer um se cansa uma hora. A Rô logo ficou ofendida com o descaso e começamos a ter atritos sobre a cama.

A história do colchão em sua época foi um atrito também. Quase discutimos sobre o assunto e eu fui pressionado a comprar outro colchão. Mas a cama quebrada que não era consertada não fez só isso vir a tona. Uma série de problemas e discussões surgiram nessa época. Nós tínhamos muito claro que gostaríamos de ser um casal, de morar juntos. A minha idéia era trabalhar pra isso mas a idéia dela era sonhar com isso. Quando ficou claro para ambos que a idéia era séria as pequenas coisas que a Rô se incomodava viraram casos para ela apontar o que não poderia acontecer na casa em que morássemos juntos. O colchão no chão foi o maior problema dessa categoria mas passava por prateleiras, organização de roupas no armário, boxe do chuveiro dentre outros mil detalhes, pequenos, médios e grandes.

O fato é que eu mesmo não percebi o problema com o colchão. Para mim isso é coisa que não faz diferença. Todos os dias da minha vida eu deitava no colchão e acordava no outro dia descansado. Tudo bem, eu demorei bastante a me adaptar ao colchão, tive dores de coluna e acho que em parte o meu ronco é até hoje causado pelo colchão e pelos travesseiros, mas eu acordo novo. É pra isso que serve. Fim de papo. Além disso eu mesmo não havia percebido que o quarto ficava mais espaçoso. Foi numa discussão com ela que eu me toquei que talvez eu preferisse o quarto do jeito que estava, sem cama nenhuma.

Hoje faz mais ou menos um ano e meio que o colchão está no chão e que a cama está desmontada e encostada do lado de fora do quarto, na área de serviço da casa. Os principais motivos de nunca ter sido arrumada são simples. Em primeiro lugar eu não tive tempo durante uma época, por causa da monografia na faculdade. Outro motivo era que eu não encontrava marcenarias. Cheguei a ir em 3 delas e nenhuma fazia estrados. Eu não ando muito na rua, não tenho carro, perguntei pra muita gente de marcenarias e ninguém conhecia. Então eu não tinha tempo de correr atrás. Por fim o conforto de deixar tudo como está. Se eu colocar a cama pra dentro do quarto ele vai diminuir de tamanho. E depois de 6 meses fica fácil passar mais um ano distraído do que já virou rotina.

Hoje de manhã eu acordei e tive a idéia de olhar no Guia Mais por marcenaria. Nossa. Por que eu não tive essa idéia antes? Você entra em http://www.guiamais.com.br/ruas/ e põe o seu endereço. Usa os controles pra afastar um pouco a visão e ver o bairro em volta da casa. Depois lá em baixo você pode buscar coisas no mapa que você está vendo. Como num passe de mágica apareceram umas 20 marcenarias aqui perto de casa. Se procurar por maeceneiro também acha, menos mas acha. E são esses os caras que provavelmente vão fazer um estrado novo pra mim. Tudo isso por que hoje eu tive pela primeira vez um motivo de verdade para querer colocar a cama de volta de baixo do colchão…

2 Responses to 'História de cama e colchão'

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  1. Gravatar
    olga said,

    on maio 9th, 2007 at 1:34 pm

    E qual terá sido esse motivo?
    Terminas o post na melhor parte! hehehe

    Espero que tudo esteja a correr bem entre vocês!
    *.*

  2. Gravatar
    João said,

    on maio 9th, 2007 at 4:39 pm

    Está tudo bem entre nós, Olga. Tudo certinho =)

    Sobre o motivo, eu separei de propósito os posts. Eu preciso escrever logo a explicação que pretendo escrever sobre as categorias do blog. Estou levando o blog a sério e essas divisões são importantes pra mim. Esse é um post sobre o histórico da cama. É mais um registro, não tem tanta importância no momento atual.

    Em casa, hoje a noite, postarei sobre a questão do colchão, só que do ponto de vista do que eu acho, e não do que aconteceu. Aqui no trabalho não dá tempo de escrever direito.

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