Namorar de verdade?
Música de fundo desse post: “American Beauty” da trilha do filme.
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A princípio este blog não era pra falar dos problemas dela. Eu tenho os meus problemas e ela tem os dela. Aqui eu queria tratar dos meus. Mas faz um certo tempo que eu estou com a cabeça cheia de coisas dela. Preocupado. Receoso. Ansioso. Preciso usar esse espaço para desabafar e não vou deixar o blog abandonado só porque esse assunto está dominando qualquer outro pensamento.
A Rô está em uma fase muito difícil. Ela tem sofrido muito com motivos externos ao nosso relacionamento e a algum bom tempo que ela toma anti-depressivos por conta desses problemas. Ela anda com o humor tão instável que de um dia pro outro ela pode parecer toda apaixonada, com frases do tipo “vamos nos ver amanhã o dia inteiro, tá?” e no dia seguinte não querer sair de baixo do cobertor e passar o dia todo sozinha no escuro sem falar nem comigo.
Estamos bem mais próximos, isso é muito bom, ela voltou a falar “eu te amo” pra mim com alguma regularidade. Isso tem sido tão bom pra mim. Combinamos ao voltar a namorar que ela não precisava falar que me ama só por que eu falei isso pra ela. Um pacto arriscado, eu sei, mas a tristeza de não ouvir isso quase nunca foi facilmente apagada com as primeiras vezes que ouvi isso sabendo que foi de verdade, do fundo do coração. Agora que isso tem sido mais freqüente passou a ser um dos pequenos prazeres da minha vida. Ouvir ela falar “eu te amo”. Isso me dá muita força.
É complicado de explicar a situação que nos colocamos. Voltamos a namorar já tem um mês, e o pacto que fizemos era pra que nós voltássemos a namorar “aos poucos”. Esse “aos poucos” parece ser tão claro às vezes, mas quando eu paro pra explicar pra alguém, seja na terapia ou para os meus confidentes, ou penso em escrever aqui, percebo que não é tão simples assim de explicar e não está tão claro quanto parecia. Têm coisas que são óbvias: Voltar “aos poucos” significa que não estamos transando; Voltar “aos poucos” significa que não estamos saindo como um casal junto com os amigos; Voltar “aos poucos” significa que não conversamos sobre o futuro. Mas têm coisas que não são tão simples, como por exemplo, quando vamos voltar a transar? Quando eu posso contar com ela como parte da minha família novamente?
Tínhamos antigamente um nível de intimidade muito grande. Gostávamos de tomar banho juntos, lavar mesmo um ao outro ou simplesmente ficar tomando banho e conversando. Falávamos sobre nossa sexualidade quando estávamos separados, sobre tudo imaginável. Sempre mexíamos com tudo no computador um do outro, apesar de não trocarmos senhas cada um sempre leu o histórico de MSN e e-mails do outro quando surgia a curiosidade. Também havia liberdade para opinar na vida um do outro, sem restrições. Tudo super aberto. Tem coisas que voltaram rápido, tem coisas que não voltaram e eu sequer sei dizer se estamos perto de voltar a conversar com essa intimidade toda ou não, se vamos conseguir ter um dia a mesma intimidade de antes ou não. Um dia eu sei que vamos ter, mas sinto falta de poder perguntar qualquer coisa pra ela sem ter medo de estar indo rápido demais ou dela perdir uma explicação do porquê da pergunta.
Isso dificulta muito as coisas. É uma perda grande essa intimidade que tínhamos e que está adormecida. Espero que essas coisas voltem aos poucos e naturalmente, mas sem demoras.
Mas essa semana o que não está saindo na cabeça são algumas coisas que ela falou que estão relacionadas com os problemas dela, não com o nosso namoro diretamente mas que afetam a mim também. Ela tem passado a maior parte das últimas semanas cabisbaixa, desanimada.
Ela anda falando que tem vontade de morrer ou que não tem vontade de viver. Ela não é do tipo que se mataria e deixa claro que não é disso que ela está falando. Ela só não tem nenhum incentivo, nenhum sonho, nada que ela possa se apegar para ter mais força. Eu sempre dou carinho pra ela, vou na casa dela no meio da semana para dar abraços e beijinhos nela e isso fez muito efeito umas semanas atrás, quando ela disse que a minha presença ajudou muito à ela. Mas é difícil ter fôlego pra tudo isso. É difícil estar sempre presente com ela variando tanto de humor.
Nos fins-de-semana passados ela se mostrou mais animada, nos vímos, passeamos, nos divertimos. Esse fim de semana foi um pouco diferente.
Já durante a semana ela puxou a conversa: “João, eu não sei como você me agüenta. Eu sou tão problemática. Eu nem tenho sido uma namorada de verdade pra você, eu vou melhorar, viu?”. É claro que isso mexeu muito comigo. Até hoje, quase uma semana depois dela ter me dito isso eu fico encafifado com o que seria “namorar de verdade” na cabeça dela nesse momento. Já no sábado tivemos um encontro gostoso. Não fomos ao programa que tínhamos combinado, mas ficamos na casa dela, abraçadinhos no sofá, vendo qualquer coisa que o pai dela havia escolhido na TV. Ela estava animada. No domingo tudo mudou: Mal-humor, indisposição, preguiça, ela estava toda fechada, me beijou de forma estranha. Não dá pra fingir que não namoramos 6 anos. Ela beijou diferente. Foi gostoso, foram beijos de verdade, mas eu sei que tinha algo estranho.
Depois, conversando sobre assuntos não tão relacionados com isso ela mudou totalmente de assunto desabafou pra mim: “Eu estou com zero de libido. Nada me interessa, não tenho vontade nem de beijar. É como ir passear com um irmão”. Com um irmão?!? Eu fiquei pasmo. Depois veio a conversa e a explicação. Eu já sabia que mais ou menos 2 meses atrás ela aumentou a dose de anti-depressivo. Parece que um efeito que pode acontecer é a queda da libido. OK. Mas até aí, sabe, alguém como a Rô que sempre teve muito fogo, muito tesão. Como é que ela chegou ao nível de dizer que nem beijar ela tem tido vontade?
Sabe essas duas coisas ficam batucando ultimamente na minha cabeça. E o pior é que eu não tenho como explicar aqui, mas sei que a história de voltar a namorar “aos poucos” não foi motivada por essa queda de libido. São dois assuntos separados e eu conheço ela bem o suficiente pra saber que “aos poucos” não era uma muleta pra justificar que não queria transar. Isso me deixa mais preocupado ainda com ela, principalmente por que ela me disse que pra ela um cafuné na cabeça e ficar um pouco abraçados no sofá tem sido tudo que ela precisa pra estar satisfeita do nosso contato físico e ela não está muito preocupada com isso.
O que mais me preocupa dessa história é ela não estar preocupada com isso. Ela podia estar ao menos percebendo o quanto esse remédio que ela está tomando afeta ela fisicamente. Eu sinceramente não tenho visto muita diferença nela tomar o remédio ou não. Hoje eu esperava ouvir dela um pouco mais sobre essa história. Quarta é sempre um dia bom pra conversas por que tanto eu quanto ela temos terapia quarta a noite. E além do mais quinta ela não tem que acordar cedo por que não tem faculdade. Hoje ela foi dormir algo do tipo 15 minutos depois de eu ter entrado no MSN ao voltar da terapia. Ela estava totalmente desinteressada em conversar.
E agora fico eu aqui, com insônia, pensando nela, pensando em nós e sem conseguir nem uma resposta e nem finalizar esse post. Tento dito preguiça de postar por que sei que esses assuntos me consomem muitos e muitos parágrafos para render alguma coisa coerente para que vocês leiam ou coerente para mim. Esse é mais um post que morre cheio de dúvidas e sem sequer amarrar o raciocínio.
3 Responses to 'Namorar de verdade?'
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on novembro 28th, 2007 at 4:42 pm
Véio, eu namoro a 2 anos e 6 meses, tudo isso q aconteceu com vc ja aconteceu comigo, + a minha situação era pior, minha namo fico deprecisa pq os pais dela ñ acetam nosso namoro, se kso vc qiser alguma ajuda ou trocar histórias me add ai ++[endereço de e-mail removido por questões de spam e de anonimato]++
on dezembro 28th, 2007 at 5:42 pm
É, Rodrigo, conheço uma amiga que tem o mesmo problema, os pais dela não aprovam um nemorado de outra etinia… Não sei se o seu caso foi esse, mas qualquer rejeição por parte da família da Rô me teria deixado com certeza em pior situação.
A última vez que a Rô quis acabar eu chorei no colo dela inclusive por que eu amo muito a família dela.
on julho 31st, 2008 at 2:57 pm
meus DEus como você a ama que situação