Mais de 3 anos depois

Seria impossível tentar falar aqui sobre os últimos 3 anos em um único post e manter a fidelidade e nível de detalhes que esse blog tinha na época que era mais ativo. Durante esse tempo o blog ficou parado, mas nem tanto. Uns poucos comentários e muitos contatos por e-mail me ajudaram a continuar a buscar o meu sonho. A última conversa por e-mail me encorajou a atualizar aqui mais uma vez.

Ao contrário do que se podia esperar a verdade é que o sonho acabou.

Trilha sonora para este post: To build a home – Cinematic Orchestra

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A verdade é que eu parei de escrever quando a situação entre eu e a Rô melhorou. Como eu havia prometido nos primeiros posts a Rô teve acesso ao blog e, talvez em parte por causa dessa nova visão dos meus sentimentos, voltamos a namorar sério, decidimos que iríamos morar juntos. Um tempo enorme passou no planejamento dessa moradia mas fomos morar juntos. No segundo mês de vida de casal a surpresa: A Rô engravidou. Perto do fim de 2009 tivemos uma linda filhinha que hoje tem quase 1 ano e meio. Mas em Janeiro desse ano de 2011, praticamente no aniversário de 3 anos da postagem anterior, terminei o relacionamento com ela.

Esse blog começou numa época que eu e ela estávamos separados, mas naquela época ainda havia amor, ainda havia muitos sentimentos. Mas a única coisa que conseguimos nos outros 4 anos foi desgastar e acabar com esses sentimentos. Na verdade a gente precisava disso. No passado nós nos amamos muito um ao outro e só um monte de merda que aconteceu nos últimos anos que fez a gente se separar.

Eu fiz tudo pra estar junto com ela durante todo tempo até que não sobrou mais nada. Não sobrou amor, nem respeito, nem companherismo, nem cumplicidade, nem a capacidade de perdoar e nem sequer ajudávamos um ao outro a cuidar da casa. Pra mim esse foi o melhor jeito de acabar. Eu comecei esse blog acreditando num relacionamento longo e que fosse pra sempre, mas o João de hoje em dia eu mal acredita em relacionamentos sérios e casamento. Acredito somente que pessoas responsáveis e compromissadas possam viver juntos. Isso é bem diferente de amor no sentido clássico que a sociedade nos ensina.

Conheço vários casais que se amam e brigam. Conheço vários casais que não se amam mais, mas dão muito certo morando juntos e vivendo como uma família. Claro, se amam como família, mas o que eu estou falando é que eles não tem mais paixão e aquele fogo entre eles. Aquele negócio que deixa a gente arrepiado ou aquela saudade grande quando ficamos longe. Tem uns 4 casais amigos meus que tem um relacionamento perfeito como casal e não tem mais essa chama.

Com a Rô eu achei que a gente podia pelo menos chegar nesse ponto, mas nunca conseguimos transformar o jeito que a gente se amava em outro jeito de amar sem perder essa relação de família. Sem perder a capacidade de perdoar. No nosso relacionamento não teve infidelidade, foram 11 anos sem nenhum trair o outro. Quando falo da capacidade de perdoar é dos erros do dia-a-dia. É das coisas que fazemos errado e depois queremos voltar atrás. É também a compreensão que num relacionamento duradouro conhecemos e aceitamos viver com os defeitos dos outros.

Eu tenho certeza que fiz a minha parte. Eu fui o motor desse relacionamento por anos e poucas vezes vi a Rô empenhada em nos manter juntos nos meus momentos de fraqueza. Ela nunca esteve de verdade disposta a conviver com os meus defeitos, o perdão dela nunca foi verdadeiro e ela nunca amadureceu o suficiente para termos uma vida harmoniosa e aceitável nos momentos que a paixão estava em baixa. A Rô dependia daquela paixão que já não existe a tempos entre nós pra que tudo desse certo e sem aquela paixão nem a nossa filha conseguiu nos manter juntos.

No começo de Janeiro de 2011 eu falei pra ela que não dava mais pra ficarmos juntos e isso era final. Falei isso depois de 6 meses avisando que sem mudanças o relacionamento ia acabar. Falei isso de forma tão gentil e carinhosa que ela até achou que poderíamos voltar atrás para mais uma chance. Mas ter tentado separar dela de maneira gentil realmente foi a última gota de carinho que eu tinha para dar pra ela.

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Uma resposta a Mais de 3 anos depois

  1. "Sedexarp" disse:

    Depois de algum tempo a paixão acaba. Aí é fundamental o amor. Amar é escolha, não se basei apenas no sentimento…

    A realidade é que não existe só “e foram felizes para sempre”.

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