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	<title>João quer casar &#187; Histórico</title>
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	<description>Mulheres querem casar e ter filhos. Homens querem ter várias mulheres. Quem dera eu fosse assim, padrão, menos emotivo...</description>
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		<title>Quando é que eu vou casar? Eu vou casar?</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jan 2008 14:05:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As fases do meu namoro
A minha posição nessa história de namoro está muito complicada atualmente. Acompanhar a Rô sofrendo como ela está hoje em dia tem sido muito doloroso pra mim, e conseqüentemente pra ela. A nossa terapia de casal tem ajudado muito nesse sentido, muitas coisas ficaram claras desde que começamos as sessões e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>As fases do meu namoro</h3>
<p>A minha posição nessa história de namoro está muito complicada atualmente. Acompanhar a Rô sofrendo como ela está hoje em dia tem sido muito doloroso pra mim, e conseqüentemente pra ela. A nossa terapia de casal tem ajudado muito nesse sentido, muitas coisas ficaram claras desde que começamos as sessões e conforme o andar da carruagem e com a ajuda da minha terapia individual pude ver uma espécie de panorama do que vivemos nesses anos de namoro.</p>
<p>A primeira fase foi a mais gostosa, nós éramos uma pessoa só. Tudo que queríamos fazer era com o outro, valia a pena abrir mão de qualquer coisa pelo outro e tudo que fazíamos era curtir um a companhia. Nós existíamos como um casal e foi assim por muito tempo. Acho que essa fase é equivalente aos primeiros 3 anos do nosso namoro. Em muitos relacionamentos que eu vejo por aí, amigos, conhecidos, essa fase costuma ser muito mais curta, muitos relacionamentos acabam quando esse tempo acaba. É a explosão que junta duas pessoas, é o momento &#8220;Casal&#8221;.</p>
<p>A segunda fase foi uma fase de muitos conflitos. De certa forma é uma fase que começou se misturando com a primeira e foi gradualmente tomando forma, quando cada um dos dois começou a sentir falta da parte pessoal que abriam mão para estar juntos. Ir em programas que não ia anteriormente, ir em aniversários de parentes, ou até aquela tarde preguiçosa que tem um sol gostoso entrando pela janela e batendo bem na sua cama e você fica a tarde toda entre cochilos e pensamentos só você com você mesmo. Tudo isso faz falta quando a gente se joga de cabeça em qualquer relacionamento. Acho que essa fase acabou pra nós a pouco tempo, nós descobrimos tudo o que cada um precisa fazer sem o outro ou quando precisamos estar sem o outro. Demoramos mais 3 anos mais ou menos nessa fase, e já passamos também a parte mais difícil que é aceitar os momentos individuais de cada um sem se sentir abandonado ou desconsiderado. Estamos agora no fim dessa fase ou ela já acabou. Ambos desfrutam de seus momentos sem que causar conflitos com o outro e ambos aceitam o tempo do outro sem causar conflitos (pareceu repetitivo mas é isso mesmo).</p>
<p>A terceira fase é o que buscamos agora. É a união das duas fases anteriores, é de certa forma o amadurecimento final do relacionamento, o equilíbrio entre as duas fases anteriores. Acho que muitos casais com dezenas de anos de casados não atingem essa maturidade que temos hoje. Não sem problemas ou repressões internas. Estamos realmente bem quanto a isso, ou pelo menos é a minha impressão do relacionamento.</p>
<p>A questão que ficou no ar na minha última sessão de terapia antes dessa viagem foi: Nós soubemos viver e namorar juntos, nós soubemos viver e namorar separados, e agora, aonde está a união novamente? Certamente que não será a mesma coisa, mas onde está o equilíbrio? No momento o que falta é justamente um tempero de primeira fase nessa segunda fase que está tão onipresente.</p>
<p>No post anterior eu já expliquei o que está acontecendo com a Rô, e é uma fase muito ruim pra isso tudo estar acontecendo. Eu estou imaginando: será que o namoro está perdido? Nenhum dos dois quer isso, estamos bem juntos, mas o que será que acontece com nosso relacionamento que no início foi tão precoce, que se tornou tão maduro e que agora não vai pra frente? Quase todos os exemplos que eu conheço de namoros de 7 anos sem casar e que depois casaram são exemplos das gerações anteriores, raro na geração da minha mãe e um pouco mais comum na geração da minha avó.</p>
<p>Não vou entrar em detalhes neste post, mas eu e a Rô sempre fomos muito rápidos em nosso relacionamento. Rápidos a ter intimidades, em não guardar segredos, em cumplicidade, em companheirismo. Nosso fogo de início de relacionamento durou raros 3 anos. Será que não era nessa fase que deveríamos ter nos casado? Mesmo dentro dessa fase de paixão enorme nós tínhamos recursos de casal (por não achar melhor palavra, e não estou falando da parte financeira, estou falando de como um casal funciona no âmbito das idéias, dos pactos e acordos) que muitos casais, até onde sei, demoram anos morando juntos para desenvolver. Por que moramos separados? Será que não ter casado na hora certa é um sinal que não conseguiremos mais casar?</p>
<h3>Um Futuro a decidir</h3>
<p>Hoje a situação é complicada, com os problemas atuais a Rô mal consegue ânimo pra evoluir como pessoa, quanto menos investir em nosso relacionamento. Quando é que ela vai ter coragem, disposição e vontade de assumir o nosso relacionamento de verdade e poder morar comigo?</p>
<p>Isso me faz lembrar que eu nem comentei aqui no blog que ela não está mais cursando a faculdade. Depois de muito tempo sofrendo ela resolveu trancar a faculdade e não vai mais voltar. Apesar do grande alívio pra ela de estar se livrando de um grande peso ela ao mesmo tempo perdeu o &#8220;pretexto&#8221; (que na verdade era mais que um pretexto, mas vou usar essa palavra na falta de outra) para não ir morar comigo. Antes o pretexto era terminar a faculdade e estar ganhando dinheiro. Hoje ela está sem faculdade e têm 6 meses que ela está bem empregada. Ela não está ganhando altos salários, ela ganha por hora e o trabalho dela depende que ela aos poucos encha a agenda, mas está muito bem encaminhado, muito bem reconhecida e elogiada. Qual seria o problema em morar comigo agora? Ao que me parece ela está buscando forças pra isso de certa forma. Provavelmente por mim, mas não por ela. Ela agora está passando por um problema muito maior:</p>
<p>Ela não tem um objetivo de vida. Como assim? Não tem. Se ela não sabe me explicar direito eu fico em apuros pra explicar também. Ela não tem um sonho a atingir. Por exemplo, eu (logicamente pra quem acompanha o blog) quero casar, ter filhos e ser um pai de família, sonho com isso desde 15 ano de idade. Ela não tem esse sonho e nenhum do tipo. Do ponto de vista profissional eu quero ter uma estabilidade financeira que me permita ter um apartamento de 2 ou 3 quartos, me permita não passar nenhum mês em apuros e sustentar a família e talvez ter um carro, com tudo isso poder fazer uma viagem internacional a cada período de férias. Eu quero isso continuando na área que estou. Ela não tem nada desse tipo como alvo da carreira profissional dela. Ela quer sim ganhar &#8220;um salário bom&#8221; mas ela não sabe a fixar um valor e ela não sabe dizer como ela espera chegar ao &#8220;salário bom&#8221; dela. Ela não tem um sonho maluco, do tipo: &#8220;Quero tomar sorvete na Suíça aprendendo a andar de esqui &#8220;. Nada.</p>
<p>Tem tanta coisa pra falar aqui que eu não consigo deixar esse post menor. Originalmente eu não ia postar o post anterior sem isso tudo que estou escrevendo aqui, e provavelmente eu vou ter que diluir tudo que está na minha cabeça em mais posts ainda. É uma situação muito complicada.</p>
<p>A Roberta atualmente está num processo de isolamento do mundo. Ela está brindo mão das coisas aos poucos. Primeiro ela abriu mão da faculdade, e talvez essa seja a única coisa que acredito que ela abriu mão para o bem. Depois ela abriu mão dos compromissos chatos, coisas que ela fazia a contragosto por pessoas que não importavam muito. Depois ela abriu mão das situações sociais que ela considerava obrigação por que alguém importante à ela contava com sua presença. E depois ela começou a colocar família, eu e os amigos muito próximos no bolo de pessoas que não merecem mais o esforço dela. E agora ela está com vontade de abrir mão do trabalho também. Só está restando à ela ficar trancada dentro do quarto o dia todo, e não sei se eu duvido muito disso a médio prazo.</p>
<p>Com a Roberta desse jeito eu estou sentindo o peso em cima de mim do futuro desse relacionamento. No estado que ela está eu constantemente estou a apoiando do jeito que posso, isso atualmente significa abrir mão de vários compromissos meus para ficar com ela, deitado, vendo TV, fazendo carinho, conversando, escutando ela falar, esperando ela parar de chorar, falando palavras de carinho. Ela vive me reafirmando o quanto isso é importante pra ela, e eu sei que é importante, é claro que é pra lá de importante. Mas será que eu posso continuar com isso? Será que é o melhor para mim ou para nós?</p>
<p>Ela vive colocando o nosso relacionamento em cheque, me questionando se eu devo ou não continuar esse namoro. E pra mim é a pior coisa que eu poderia ter que decidir. Se eu a deixar ela vai ficar muito, muito triste, de perder um companheiro que dá tanto conforto e carinho à ela. Ela vai sofrer muito. Se eu ficar com ela o desespero pode tomar conta dela, afinal de contas me ver sofrendo por causa dela só piora as coisas pra ela mesma. Ela sofre cada coisa que eu sofro por causa dela. Ontem que fui me dar conta pra ela que continuando o relacionamento ou terminando o relacionamento, de qualquer forma ela sai perdendo. De qualquer jeito ela continua sofrendo e pode ter seu sofrimento aumentado com o passar do tempo.</p>
<p>Já eu não. A mim cabe a decisão do que eu quero e posso fazer por esse relacionamento. Pra mim seria a pior coisa do mundo desistir disso agora. Eu a amo, isso não é mais um assunto que eu vou embutir nesse post, eu quero ficar com ela e isso é fato. A questão é: Será que esse relacionamento tem esperança? Será que eu terei felicidade fora desse relacionamento? Pra mim existe uma boa diferença entre ficar com ela e ficar sem ela. Eu posso ser feliz com ela ou sem ela a curto ou médio prazo em ambas as direções. O mundo está cheio de pessoas interessantes pra eu conhecer se eu quiser, pra eu me relacionar se eu quiser, pra eu namorar se eu me separar da Rô.</p>
<p>Mas quanto tempo será que eu precisaria pra me desfazer desse amor todo que eu tenho por ela? Será que eu me recuperaria de abandonar esse relacionamento? Eu me sinto parte da família dela, me sinto aceito lá. Ela é super aceita na minha família e apesar de atualmente ela ter uma certa birra (com razão) de coisas na minha família ela também sabe que é parte da família e de certa forma eu sei que ela gosta disso. Como se quebram esses laços? Quanto custa emocionalmente quebrar esses laços? Ela é a minha mulher e eu sou o homem dela. Isso está tão intrínseco em nós dois nesse ponto que mesmo tendo recentemente parado pra olhar pro mundo fora desse relacionamento eu ainda não vejo a saída desse relacionamento como uma boa alternativa.</p>
<p>Só sinto o peso da decisão. Pra mim existem algumas opções:<br />
- Ficar com a Rô e pressionar que vamos morar juntos logo, mesmo ela estando mal no momento.<br />
- Ficar com a Rô e dar à ela todo o tempo que ela precisa, tentando ser o mais neutro possível no que sugiro ou defendo que ela deveria fazer.<br />
- Ficar com a Rô e fingir que não estou com ela ao mesmo tempo, ou seja, me mantenho fiel mas não espero dela companhia e amor que ela poderia me dar e aproveito tudo de solteiro menos ficar com outras pessoas.<br />
- Termino com a Rô e parto loucamente pra outros relacionamentos pra apagar esses laços tão fortes que temos<br />
- Termino com a Rô e viro um irmão pra ela, cuido dela sem ela ser a minha mulher, como se fosse um tio ou um primo dela<br />
- Termino com a Rô e assumo o destino de ser um cara sozinho, sem esperança de ter algo como eu tive com ela alguma outra vez na vida.</p>
<p>Mas basicamente eu preciso decidir. Eu devo continuar com a Rô? Eu posso continuar com a Rô? Ela é a pessoa que pode me fazer feliz? É justo eu ter nos mantido juntos tanto tempo de depois a abandonar? Não sei se alguém sequer pode tentar me entender pra me ajudar a responder tudo isso. Só minha analista deve ver uma solução pra isso que ela ainda não conseguiu me conduzir a encontrar. Isso se muito, afinal de contas ela também não tem bola de cristal.</p>
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		<title>História de cama e colchão</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2007 13:38:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João</dc:creator>
				<category><![CDATA[Histórico]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu lembro do começo do namoro. Eu e a Rô começamos tudo muito rápido. Acho que ambos estávamos ansiosos para conhecer, para gostar, para namorar alguém. Ambos estavam esperando uma boa oportunidade para se envolver, cada um com seus motivos. Entramos de cabeça no relacionamento e em pouco tempo ela já conhecia e dormia comigo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu lembro do começo do namoro. Eu e a Rô começamos tudo muito rápido. Acho que ambos estávamos ansiosos para conhecer, para gostar, para namorar alguém. Ambos estavam esperando uma boa oportunidade para se envolver, cada um com seus motivos. Entramos de cabeça no relacionamento e em pouco tempo ela já conhecia e dormia comigo apertadinho na minha cama de solteiro. Na verdade o modelo era aquele que chamam de cama de viúva, sabem? Um pouco mais largo, mas ainda assim nada perto de cama de casal.</p>
<p>Eu com 19 e ela com 17, ok, quase 18, mas 17 ainda. Nem eu e nem ela havíamos dormido com alguém na mesma cama antes. É tão gostoso descobrir que nem todas as posições são confortáveis quando se tem que dormir obrigatoriamente abraçado, tão gostoso descobrir que o cheirinho da cama muda só por ter alguém que uma ou duas vezes por semana dorme lá e todas as outras nuances de começar uma vida a dois, a primeira vida a dois. Eu lembro que eu acordava no meio da noite com dor no braço que ela estava deitada em cima e eu fazia o maior esforço pra mudar a posição sem acorda-la, tantas coisas gostosas de se descobrir&#8230;&nbsp; em poucos meses de namoro dormíamos abraçadinhos sem nenhum problema, virou hábito as posições que davam certo e nós dormíamos como dois bichinhos enroladinhos&#8230;</p>
<p>A cama de solteiro não era ruim. Dá pra dormir gostoso a dois naquela cama, quando começamos a transar, alguns meses depois do começo do namoro, pouco antes dela completar 18 anos, a cama era de confiança e não nos traía com barulhos. Muita sorte da nossa parte, a cama já era minha a alguns anos, antes disso havia sido do meu tio, quando morava aqui em casa com a minha avó e eu ainda era um moleque. Esperto ele, que escolheu a cama mais silenciosa da casa. Nessa época experimentamos também transar em outros lugares, mas nosso ninho era lá, na minha cama de solteiro. A casa dela só era opção com os pais dela viajando, eu nunca pude e acho que nunca poderei dormir na casa dos pais dela. Nessa época experimentamos a cama de casal da minha mãe.</p>
<p>A cama de casal da minha mãe foi herdada da sogra dela do segundo casamento. Cama maciça, madeira de lei bem escura. Simples e muito bonita. A cama é de um padrão de tamanho antigo, já que a própria sogra do segundo casamento da minha mãe herdou de sua avó. A cama tem 2m/1,8m. Gigante. Maior que Queen size e menor que King size, mas por poucos centímetros, nunca sei. Essa tinha um colchão velho ainda era feito com madeira dentro e a Rô nunca se adaptou muito bem a ele. Só sei que o colchão velho era um caso complicado para a minha mãe. Na época em que desfrutávamos da cama o colchão já ameaçava se desfazer mas mesmo assim nunca deixou de ser confortável. Mas um colchão novo era caro e minha mãe dormia tanto fora na casa do namorado que quem aproveitava o potencial da segunda cama mais silenciosa da casa era eu e a Rô, com a permissão da minha mãe, claro.</p>
<p>Acontece que (como alguns espertinhos já podem ter sacado pelo detalhamento exagerado da cama alheia) que eu herdei essa cama da minha mãe. Na verdade eu acabei faturando a cama. O que aconteceu é que minha mãe ganhou uma cama de casal padrão, que é muito mais fácil de comprar roupa de cama e que estava novinha com um bom colchão. Ela ganhou por que uma amiga rica ia jogar fora. Magina, minha mãe não ia deixar passar essa. Ela não tinha dinheiro pra trocar de colchão e nem pra ficar comprando lençóis King Size e mandando a costureira arrumar, então uma nova cama foi ótima idéia pra deixar o quarto bonitinho sem gastar com isso. Ela encostou a cama velha desmontada por um canto da casa esperando levar para o sítio dela, nas montanhas. Nessa época a Rô dormia aqui todo fim de semana e meu irmão, que então dividia quarto comigo, dormia 4 vezes por semana na casa da quase esposa dele. Nada mais perfeito. Um belo dia eu me apossei da cama abandonada dizendo que se ela resolvesse levar pro sítio eu pegava a de solteiro de volta.</p>
<p>A cama é maravilhosa. Eu me adaptei muito bem ao colchão velho. Todo irregular, com as madeiras de dentro dele todas rachadas e com pouco estofamento ele era um colchão com história e que meu corpo se ajeitou muito bem. Mas a história não seria interessante se eu estivesse com esse colchão até hoje, não é? A Rô não se adaptou ao colchão. Ela está acostumada com bons colchões e não é nem uma questão de bom ou ruim, ela está acostumada com coisas macias, eu com coisas duras. Isso serve pra colchão e travesseiro na verdade. Nessa época começaram as conversas sobre isso.</p>
<p>A história é muito mais longa do que pode ser contada em um post só, mas de certa forma eu e ela sempre tivemos muitas conversas sobre tudo. Ambos nos ajudamos em tudo que vocês podem imaginar e uma das coisas que ela sempre me ajudou foi com meu quarto. O meu quarto acabou desde o começo sendo muito &#8220;nosso quarto&#8221;. Ela em uma época dormia na minha casa de sexta, sábado e domingo a noite, saindo daqui de casa direto pra faculdade na segunda de manhã. Isso constitui quase metade das noites dela. Digamos que em média ela dormia 1/3 dos dias dela aqui em casa. Apesar de eu estar bem satisfeito com o colchão a Rô começou uma espécie de uma campanha para que este fosse trocado. Eu tinha começado a ganhar bem e com carteira assinada e o que antes parecia irreparável por questões financeiras pôde entrar no escopo de decisões pela melhoria do quarto.</p>
<p>Um belo dia lá vai o João procurar colchões para comprar. Como já foi dito a cama é fora de padrão atual. Mas a sorte esteve do meu lado e eu consegui encontrar um colchão de mola, muito bom, a um preço acessível. Bom, naquelas. A única vez que descontrolei as minhas finanças e entrei no negativo desde que tenho o emprego (que dura desde aquela época até hoje) foi essa vez do colchão, na verdade eu tava pagando ainda a TV que havia comprado e foi falta de organização mesmo, por que dinheiro eu tinha. E pronto, um dia a Rô chegou aqui em casa e a cama estava com esse novo colchão. O meu quarto estava perfeito, um quarto grande, uma cama grande, uma TV grande, um móvel lindo, tudo bonitinho. E já que eu tinha comprado o colchão a cama passou a ser oficialmente minha.</p>
<p>Mas a história não acaba por aí. Por motivos que não pertencem à esse post e tive que mudar de quarto. O quarto que eu tinha de 6,80m/4,50m foi promovido a um quarto de empregados, reformado, de 2,20m/3,10m. E o que acontece com uma cama de 1,80m/2m num quarto desse? É, resposta correta! Fica tudo apertado! O projeto da reforma do quarto contava que eu ficasse com a cama de casal. Afinal de contas eu tinha investido uma bela grana no colchão e não tinha desfrutado nem 6 meses dele quando tive que mudar de quarto. Nada de se desfazer da cama que agora além de linda, além de silenciosa, tinha um colchão novinho e travesseiros de pluma de ganso para acompanhar. O quarto ficou legal, pequeno mas cabia. O armário foi feito sob medida para as portas correrem de lado, portas que nunca foram colocadas, mas era pra correr de lado por que com a cama não daria pra abrir a porta se fosse estilo tradicional.</p>
<p>A cama estava OK, o quarto estava OK e um belo dia o meu irmão estava de pilequinho, depois de umas 5 doses de vodka e estava mostrando a casa para nossos amigos. De repente aquele ser singelo de 100Kg fala pros amigos: &#8220;E olha como ele tá rico, comprou colchão de mola que é gostoso de pular em cima&#8230;&#8221; e pulou em cima da minha cama. Ele não caiu na cama, ele pulou mesmo, subiu do chão e caiu em cima da cama que com um alto estalo não se partiu. Isso mesmo, não se partiu. A cama agüentou firmemente. Quem não aguentou foi o estrado. O estrado ficou em forma de &#8220;U&#8221;. Ele partiu algumas madeiras mas não cedeu ao chão. Mas foi o suficiente pra ser impossível dormir direito na cama.</p>
<p>Não sei se o estrado era original, mas que ele já tinha lá os seus 5 ou 6 remendos de madeira pregados por baixo ele já tinha. Já era meio tortinho, mas com o colchão novo isso estava escondido. Com o singelo pulo de elefante do meu querido irmão foi o fim daquele estrado. Ele partiu em alguns pontos os remendos e em outros as madeiras que ficam no comprimento da cama. Desmontei a cama e o colchão foi parar no chão.</p>
<p>Existem muitas turbulências que eu ainda não relatei neste blog. Tenho certeza que um dia ainda farei todos a par de tudo isso, mas se resumirmos rapidamente, afinal esse é um post sobre a cama não sobre os problemas e confusões da época que ela quebrou, mas de certa forma posso dizer que eu estava confuso o suficiente pra ficar uns belos meses sem arrumar isso. O certo era fazer o meu irmão arrumar a cama. Mesmo que ele não tivesse o dinheiro ele sempre teve carta de motorista, coisa que eu não tenho até hoje. Mas os problemas do meu irmão são outros e eu já desisti de faze-lo se sentir mal por não ajudar em arrumar a cama. Então no meio de várias confusões, entre elas a doença e morte do meu avô, entre elas tentar me formar na faculdade trabalhando ao mesmo tempo, eu não tive tempo e nem vontade de arrumar a cama.</p>
<p>A verdade é que depois de um certo tempo, que estava dentro do justificável para não tomar as providências, eu percebi que o quarto estava muito mais espaçoso do que sempre foi com a cama inteira. Além disso a TV ficou mais alta em relação ao colchão no chão e ficar sem a cama não causou nenhum desconforto para mim. A cama não é necessária para se viver. Existem culturas que dormem no chão, em redes, só não conheço culturas que durmam em árvores, apesar de uma maioria esmagadora dos seres humanos de hoje em dia dormirem em camas que não estão diretamente no chão nada impede que seja gostoso dormir em um colchão no chão.</p>
<p>Depois de tanta explicação chegamos ao ponto de todo esse post. A Rô não concorda que a cama poderia ser deixada de lado. Na verdade ela já achou o tempo que eu chamei de justificável um pouco longo demais. Ela é muito organizada e toda a organização dela vai além da praticidade. Ela deixa tudo muito simples e muito prático de ser encontrado, mas ao mesmo tempo ela consegue colocar tudo em um bom nível de estética também. Meu quarto, ainda é o pequenininho até hoje, o colchão no chão está até hoje, mas o quarto é muito bonito e bem organizado e isso é em grande parte mérito da Rô. Ela me ajudou muito. Eu sou um cara organizado quando quero e com o que quero, então nesse ponto não conflitamos, mas ela gosta de organização sempre, incondicional, e estética também. Então logo o caso do colchão no chão se tornou um problema.</p>
<p>Passado o período justificável a Rô começou a me perguntar quando que eu ia arrumar essa cama. Eu fiz uma coisa muito errada que era na verdade um comportamento comum em uma fase da minha vida que recorreu naquela época que era deixar pra lá. Ela perguntava e eu falava algo evasivo do tipo &#8220;ah, acho que esse mês eu consigo fazer&#8221;. E de respostas evasivas qualquer um se cansa uma hora. A Rô logo ficou ofendida com o descaso e começamos a ter atritos sobre a cama.</p>
<p>A história do colchão em sua época foi um atrito também. Quase discutimos sobre o assunto e eu fui pressionado a comprar outro colchão. Mas a cama quebrada que não era consertada não fez só isso vir a tona. Uma série de problemas e discussões surgiram nessa época. Nós tínhamos muito claro que gostaríamos de ser um casal, de morar juntos. A minha idéia era trabalhar pra isso mas a idéia dela era sonhar com isso. Quando ficou claro para ambos que a idéia era séria as pequenas coisas que a Rô se incomodava viraram casos para ela apontar o que não poderia acontecer na casa em que morássemos juntos. O colchão no chão foi o maior problema dessa categoria mas passava por prateleiras, organização de roupas no armário, boxe do chuveiro dentre outros mil detalhes, pequenos, médios e grandes.</p>
<p>O fato é que eu mesmo não percebi o problema com o colchão. Para mim isso é coisa que não faz diferença. Todos os dias da minha vida eu deitava no colchão e acordava no outro dia descansado. Tudo bem, eu demorei bastante a me adaptar ao colchão, tive dores de coluna e acho que em parte o meu ronco é até hoje causado pelo colchão e pelos travesseiros, mas eu acordo novo. É pra isso que serve. Fim de papo. Além disso eu mesmo não havia percebido que o quarto ficava mais espaçoso. Foi numa discussão com ela que eu me toquei que talvez eu preferisse o quarto do jeito que estava, sem cama nenhuma.</p>
<p>Hoje faz mais ou menos um ano e meio que o colchão está no chão e que a cama está desmontada e encostada do lado de fora do quarto, na área de serviço da casa. Os principais motivos de nunca ter sido arrumada são simples. Em primeiro lugar eu não tive tempo durante uma época, por causa da monografia na faculdade. Outro motivo era que eu não encontrava marcenarias. Cheguei a ir em 3 delas e nenhuma fazia estrados. Eu não ando muito na rua, não tenho carro, perguntei pra muita gente de marcenarias e ninguém conhecia. Então eu não tinha tempo de correr atrás. Por fim o conforto de deixar tudo como está. Se eu colocar a cama pra dentro do quarto ele vai diminuir de tamanho. E depois de 6 meses fica fácil passar mais um ano distraído do que já virou rotina.</p>
<p>Hoje de manhã eu acordei e tive a idéia de olhar no Guia Mais por marcenaria. Nossa. Por que eu não tive essa idéia antes? Você entra em <a href="http://www.guiamais.com.br/ruas/">http://www.guiamais.com.br/ruas/</a> e põe o seu endereço. Usa os controles pra afastar um pouco a visão e ver o bairro em volta da casa. Depois lá em baixo você pode buscar coisas no mapa que você está vendo. Como num passe de mágica apareceram umas 20 marcenarias aqui perto de casa. Se procurar por maeceneiro também acha, menos mas acha. E são esses os caras que provavelmente vão fazer um estrado novo pra mim. Tudo isso por que hoje eu tive pela primeira vez um motivo de verdade para querer colocar a cama de volta de baixo do colchão&#8230;</p>
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		<title>Era pra casar?</title>
		<link>http://joaoquercasar.com/2007/04/07/era-pra-casar/</link>
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		<pubDate>Sat, 07 Apr 2007 17:52:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nem tudo era tão claro quando eu a conheci. Eu já expliquei em outro post de onde veio tudo isso, mas é claro que tudo que expliquei sobre o sonho de casar cedo é muito pessoal. Falei muito de sonhos meus, mas casamento tem que ser sonho conjunto, casamento e filhos são sonhos que eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nem tudo era tão claro quando eu a conheci. Eu já <a href="http://joaoquercasar.com/2007/03/23/antigo-desejo/" title="Antigo Sesejo">expliquei em outro post</a> de onde veio tudo isso, mas é claro que tudo que expliquei sobre o sonho de casar cedo é muito pessoal. Falei muito de sonhos meus, mas casamento tem que ser sonho conjunto, casamento e filhos são sonhos que eu de forma alguma tenho como realizar sozinho.</p>
<p>Quando eu conheci a Rô e me apaixonei por ela em pouco tempo estávamos namorando e em pouco tempo descobrimos esse problema: A Rô não tinha nenhuma idéia de casar cedo e ao contrário de mim ela esperava nunca ter filhos na vida. Mas o amor começou muito forte em nós, a gente não tinha como brigar sobre isso tão cedo numa relação que mal começara. As poucas vezes que conversamos nisso ambos deixaram claro seus objetivos e expectativas. Nem meu sonho estava tão claro na minha cabeça, a clareza do post anterior foi construída ao longo do tempo e na época dessas primeiras conversas eu achei que tudo poderia mudar um dia do meu lado ou do lado dela. E eu de certa forma esperava um pouco que fosse o lado dela a ceder mais tarde.</p>
<p>Não foi um assunto que incomodou de cara. A gente estava só se curtindo e tudo eram mil maravilhas na nossa vida. Nós tivemos muito orgulho quando chegamos em 3 anos de namoro sem nenhuma briga. Existiu sim um tópico nas primeiras semanas de namoro que gerou atritos, isso não é assunto pra agora e o fato é que nós assumimos isso para nós e gostávamos de falar para os outros: 3 anos de namoro sem brigas.</p>
<p>Não é surpreendente e nem estranho perceber que todos os amigos assustaram com nossa separação. Viramos de certa forma o casal modelo em duas turmas distintas que não se conhecem. Mesmo depois de brigas começadas, lá pelos 3 anos e meio de namoro, nunca deixamos transparecer os nossos problemas quando estávamos em público. Também, os nossos problemas eram tão pessoais que geralmente não geravam motivos para aflorar em público.</p>
<p>Mas nessa época um dos problemas que surgiu foi o dito problema do casamento. Não era bem esse o termo que usávamos. A gente sempre falou que iríamos nos casar, desde os primeiros 4 meses de namoro, mas era como se fosse de brincadeira. Quando começamos a falar mesmo de morar juntos os problemas começaram a aflorar. O problema da faculdade dela que já era de 5 anos, um ano concluído e DPs começando a rolar, ou seja, muito tempo até a formação. Para o meu lado o assunto era outro, responsabilidade financeira, noções de deveres da casa e coisas do tipo. Tem <a href="http://joaoquercasar.com/2007/04/01/sinceridade-e-impulsividade/" title="Sinceridade e impulsividade">o real problema da relação</a> também apareceu, mas ele não era abordado de forma direta nessa época.</p>
<p>Apesar de trabalhar eventualmente com bicos e às vezes trabalhos maiores, alguns projetos, eu não conseguira formar empresa, como sonhava, e ser meu próprio chefe. Não era pra mim, não mesmo. Mas a impressão era que eu não podia manter disciplina e dedicação suficiente. Essa época a Rô me ajudou muito, incentivou muito e até pressionou um pouco para que eu tivesse um emprego mais sério ou uma melhor dedicação e estabilidade com essa coisa de dinheiro. Se eu realmente quisesse casar com ela, qual seria o nosso futuro se qualquer um dos dois se mostrasse com problemas financeiros? Eu que já estava nessa vida de trabalho e ganhar dinheiro precisava &#8220;mostrar serviço&#8221; pra ela.</p>
<p>Eu nunca me dei bem com essa parte da Rô. Muito prática, muito racional, poucos sonhos, muito &#8220;pé-no-chão&#8221;. Ela não conseguia abstrair e sonhar comigo. Ela sempre ficou apegada a essas coisas mais materiais, o que mais pra frente eu descobri ser outro problema que se mascarava atrás disso. Mas o conflito foi aparecendo e ficando mais forte. Quanto eu consegui um ótimo emprego e tinha dinheiro pra sustentar os dois, já que a faculdade dela é pública, esse assunto ficou mais constante.</p>
<p>Eu insistia para que ela pensasse nisso, conversasse comigo sobre essas coisas de morar junto. Ela ficava na parte prática e eu só queria que ela sentisse o mesmo desejo de morar junto, viver junto. A situação apertou. Eu com meu sonho de sempre, de casar, de ter filhos, de ser parte e pai de uma família. Ela com receios profissionais estava se sentindo pressionada por mim. Eu comecei a procurar apartamento pra morar no começo de 2006. Talvez eu não estivesse pronto de fato para isso, nessa época tivemos algumas discussões sobre o assunto. Já no começo de 2007 quando voltei a procurar apartamento para morar sozinho &#8211; sem ela &#8211; esses atritos foram de mais.</p>
<p>Eu já expliquei que o problema de verdade da separação se manter foi a minha impulsividade e o que ela deu nome de &#8220;patadas&#8221; que eu dava nela. Mas o motivo da separação, a gota d&#8217;água foi uma suposta pressão para morarmos juntos, para casarmos.</p>
<p>Não é comum um homem pressionar uma mulher para casar. Geralmente quando existe pressão de um lado é a mulher que faz esse papel. No nosso relacionamento foi ao contrário. Eu queria casar. Eu fiz tudo pra isso. Sempre. Ela já ficava na defensiva. Aos poucos fui entendendo os motivos.</p>
<p>Quando separamos eu já estava fazendo terapia a um ano e 3 meses. Eu já buscava a resposta para tudo isso. Eu já percebia a algum tempo que isso estava me incomodando. Para mim foi um sinal de que eu estava evoluindo com o problema de falar tudo na cara quando eu vi que tinha semanas que eu segurava esse assunto. Eu queria muito poder conversar com ela sobre tudo isso. Nós tínhamos em comum acordo a decisão de só morarmos juntos depois que ela se formasse, apesar de distante e apesar da Rô saber o meu sonho.</p>
<p>Alguma coisa estava faltando mesmo assim. Por que é que a Rô se incomodava tanto com esse assunto? Por que é que mesmo eu tendo dito pra ela que eu não queria que ela casasse comigo agora ela ainda assim se sentia pressionada? Essas perguntas estavam presentes na minha cabeça a algum tempo e eu não estava &#8220;dando patadas&#8221; e nem explodindo com ela.</p>
<p>No entanto estava demorando de mais. Um dia que começou ruim, que eu estava mal-humorado e que a Rô pelo visto acordou meio mal também, com o pé esquerdo agente começou a conversar. Não vem ao caso como aconteceu mas em dado momento da conversa a Rô falou algo do tipo: &#8220;Olha só que situação eu estou: Ou eu caso logo, ou eu fico solteira&#8221;. Minha impaciência e preguiça de mais uma vez tentar explicar deixaram essa mensagem passar. Ficou isso no ar. Não era o que eu achava, mas eu respondi um &#8220;pois é, é mais ou menos isso&#8221;.</p>
<p>É engraçado, acabamos nos separando aparentemente por causa dessa conversa. Dessa necessidade de casar logo. Mas não era verdade. O que aconteceu e que eu só fui entender depois foi o seguinte:</p>
<p>A Rô tem problemas com a família. Ela tem medo de enfrentar a situação de sair de casa. Ela é a filha mais velha e os outros ainda não estão perto dessa decisão. Ela está fazendo com dificuldade a segunda faculdade, teve problemas com a família quando deixou a primeira e o maior medo da vida dela é deixar a família e depois fracassar e ter que voltar de cabeça baixa para a casa dos pais. Esse medo é tão grande nela que ela não consegue nem ver como nós podíamos dar certo. O medo era tão grande que eu não podia de forma alguma conversar com ela sobre isso. Por isso que ela desprezava esse assunto.</p>
<p>Eu demorei pra perceber isso e eu nunca consegui explicar isso pra ela, fazer com que ela assumisse isso, com que ela visse que o problema não era a minha pressão para casar e nem os pequenos problemas práticos dela. O problema era que ela tem medo de sair de casa e eu precisava conversar sobre sair de casa. Eu queria sonhar com ela com um futuro distante do nosso casamento e ela se sentia pressionada achando que eu queria que ela se preparasse para casar mais cedo do que ela queria.</p>
<p>Nesse clima de insatisfação com o namoro nós separamos. Foi dia 24 de fevereiro, uma semana depois de fazermos 6 anos de namoro.</p>
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		<title>Antigo desejo</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Mar 2007 11:49:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João</dc:creator>
				<category><![CDATA[Histórico]]></category>

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		<description><![CDATA[Pode parecer estranho pra muitos de vocês. As vezes eu mesmo acho estranho isso, mas a minha histórica com casamento vem de muito cedo. Acho que eu tinha uns 15 anos quando eu comecei a pensar nessa história de casar. Isso mesmo, você leu certo, eu sou um homem, tenho 26 anos e desde os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pode parecer estranho pra muitos de vocês. As vezes eu mesmo acho estranho isso, mas a minha histórica com casamento vem de muito cedo. Acho que eu tinha uns 15 anos quando eu comecei a pensar nessa história de casar. Isso mesmo, você leu certo, eu sou um homem, tenho 26 anos e desde os 15 (quinze) anos eu já penso em casamentos e até em ter filhos.</p>
<p>Na época eu enfrentava vários problemas com família e colégio. Eu tive uma história meio perturbada com o colégio desde cedo. Sempre fui brigão, fui expulso uma vez de uma escola para ser rapidamente readmitido após a minha mãe conversar com minhas duas psicólogas e com a coordenadora e a diretora da escola ao mesmo tempo. Isso foi na terceira série. Creio que essa época foi o auge dos problemas. Com 15 anos eu era bem mais calmo mas alguma seqüela ainda era bem notada. Em casa eu discutia com mãe, irmão e padastro antes de ser mandado para o Rio para morar com meu pai e voltar para morar com a minha avó. Com 15 anos eu estava com a minha avó mas isso ainda gerava alguns conflitos de diversas formas e foi na época que meu irmão e mãe vieram morar conosco uma vez que minha mãe tinha separado pela segunda vez.</p>
<p>Todo esse pano de fundo confuso influenciava para que eu tivesse um diálogo muito constante com várias pessoas sobre comportamento. Queira eu ou não. Nessa época que minha mãe voltou a morar comigo (falo assim por que não fui eu quem foi em direção a ela, longe disso), eu comecei a às vezes perceber como poderia ser legal ter filhos cedo.</p>
<p>Com 13 anos, apesar de todas as brigas, minha mãe me levou para ver o show dos Rolling Stones. Foi uma experiência muito legal. Saímos com minha tia e encontramos umas amigas que elas tinham em comum e fomos para o show. Baseado rolou solto no carro, apesar de não passar por mim, e o show foi muito louco. Eu me perdi mas tínhamos ponto de encontro no final do show, vi um casal transando no meio do show e vi um show pra lá de animal. Foi muito bom. Junto com essa experiência meio icônica da minha relação com a minha mãe eu tive vários outros exemplos que me mostravam que apesar de diversas turbulências ter filhos cedo era muito interessante.</p>
<p>Uma vez, conversando com minha mãe, tive a oportunidade de ouvir uma coisa muito interessante. Ela dizia que por maiores as dificuldades que ela tenha passado comigo e com meu irmão ela só poderia agradecer por tudo que passamos, tudo que ela passou desde seus 21 anos quando eu, filho mais velho, nasci. Descreveu pra mim como era importante pra ela aquela experiência e como ela pôde aprender e crescer com essa maravilhosa experiência. Disse também que além de filho muitas vezes eu era também um amigo.</p>
<p>Vale também citar rapidamente a minha ótima relação com os meus priminhos. Eu fui o neto mais velho e sempre tive contato muito grande com a molecada, sempre cuidando um pouco (se é que uma criança pode de fato cuidar da outra) e sempre me divertindo muito com a criançada. Ícone disso é meu primo Marco, quando ele tinha uns 4 a 6 anos eu passava simplesmente o dia inteiro com ele, brincando, cuidando, sacaneando (tadinho) e me divertindo de todo o jeito possível. Ele foi nas férias pra mim um irmão mais novo e eu devia ter uns 13 anos nessa época. Eu sempre adorei criancinhas e bebês. Sempre achei muito lindo tudo isso.</p>
<p>Junta tudo isso na cabeça de um garoto de 15 anos e imagina o que acontece? Nem imagine, eu conto. No meu caso acho que a relação com minha mãe, com o meu pai (que fica pra outro post), com as crianças e muitas coisas outras coisas menores que talvez eu nem entenda exatamente, com 15 anos, mal saído das fraldas comecei a ter um desejo muito grande de ter filhos cedo. Com 20, 25 anos. Era isso que eu queria.</p>
<p>Acho que por mais que eu tivesse essa idéia na cabeça tudo isso era meio confuso, idéias longe de acontecerem. Sexo estava longe de acontecer, por mais que eu já pensasse na idéia. Podem imaginar o conflito de ter namoradas com a questão da violência e a posição que eu assumia desde cedo de enfrentar qualquer autoridade? Foi uma época turbulenta, com certeza.</p>
<p>Mas uma coisa é fato. Hoje, quando olho pra trás, vejo que dessa época para cá tratei muito bem de ser alguém na vida. Eu comecei a fazer freela cedo, eu soube escolher uma faculdade focando em ser um profissional e não escolher por escolher (que é o que acontece geralmente na época de vestibular) e fiz tantas outras coisas para ser quem sou hoje. Tudo bem, não sou um herói, mas acho que desde os 24 anos eu já tinha estrutura psicológica e financeira para realmente ter filhos.</p>
<p>Com 15 anos eu desejava ter filhos e me casar quanto tivesse 20. Com 24 eu acreditava ter tudo que eu precisava para isso. Pelo menos do me lado. Se eu tinha a parceira certa é conversa para outro post&#8230;</p>
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